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Inovação Disruptiva

09/05/2014
Poster de Divulgação do Filme Jobs (2013)

Um olhar sobre a cinebiografia Jobs (2013)

Capítulo extraído do Livro A StartUp vai ao Cinema, de Edison Carmagnani Filho.

Steve Jobs não era uma pessoa simples ou fácil de lidar. Esta afirmação é claramente perceptível em vários livros e filmes sobre a vida e obra do mais famoso empresário que influenciou o mundo das Startups.

As histórias que cercam o criador da Apple se tornaram mitos tão grandes quanto o sucesso de suas invenções.

Em 2013 o diretor Joshua Stern fez a cinebiografia de Steve Jobs que teve como protagonista o ator Ashton Kutcher, que performou o personagem com grande atuação ao fazer com que o público enxergasse nele uma imagem além daquele garotão estereotipado de Hollywood.

Sem falar na grande semelhança física do personagem com o próprio Jobs na sua juventude, na verdade a maioria dos atores desta película conseguiram, no que diz respeito a parte visual, transformar-se em uma cópia fiel de cada personagem por eles protagonizados.
Este primeiro filme da cinebiografia de Jobs conta de forma fiel a história da Apple, desde a criação da empresa na garagem dos pais adotivos de Jobs, passando por seu período de crise nos anos 1990 até o momento em que o seu aparelho mais revolucionário, o iPod, é lançado.

Os episódios mais conhecidos do empresário como sua parceria com Steve Wozniack, seus desentendimentos com a diretoria da própria empresa e a forma com que ele trabalhava com sua equipe criam uma trama interessante.

No filme pode-se perceber o porquê de Jobs ter se tornado esse grande empreendedor, pois as características desse tipo de líder empresarial podem ser observadas logo no início, quando ele entra em conflito com seu superior na empresa em que antes ele trabalhava como empregado e demonstra não ter nascido para ser “comandado” e sim para “comandar”.

Steve Jobs não tinha medo de arriscar, acreditava em si mesmo e no seu potencial, desafiava-se o tempo todo para vender seu produto, com uma capacidade de negociação extraordinária, prometia dead lines impossíveis de cumprir, contratava funcionários sem dinheiro no caixa, simplesmente por acreditar em seu projeto e na qualidade de seu produto. Ele sabia do que o cliente precisava.

Algo interessante e que podemos ver ainda hoje nos produtos da Apple era a preocupação de Steve Jobs com a qualidade do produto, sendo rigoroso até na simetria das peças que compunham uma placa, o que aparentemente para seu sócio não era algo com que deveriam se preocupar, uma vez que tinham prazos curtos a cumprir e isso sim importava mais.

O filme é uma inspiração em muitos sentidos e está recheado de frases motivacionais de Steve Jobs, que era a favor da inovação e criatividade.

É imperdível para qualquer pessoa que possua um iPhone em casa ou apenas se interesse pela vida do gênio que fez da Apple uma das empresas mais valorosas do Mundo.

Já na cinebiografia do filme Steve Jobs, de 2015, temos um filme tecnicamente mais elaborado e ganhador de diversos prêmios do Globo de Ouro.

O que, na minha opinião, faz o Steve Jobs ser melhor do que Jobs é a capacidade do segundo de surpreender o espectador. As respostas do Jobs de Kutcher frente aos acontecimentos de sua vida são previsíveis até para quem passou os últimos anos isolado em um monastério sem internet e não conhece o legado do empresário.

Parte disso é culpa do roteiro do filme, que opta por fazer um resumão da vida do personagem.

A comparação entre os Jobs jovens de Kutcher e Fassbender se torna inevitável. A atuação de ambos é bastante marcante, mas, apesar de Kutcher ganhar muitos pontos pela semelhança, o Jobs de Fassbender se mostra um personagem muito mais profundo e complexo. Chega mais perto de quem foi o verdadeiro Steve Jobs.

Ambos os filmes merecem ser visto porque são inspiradores, instigantes, motivadores e capaz de prender total atenção do público.

Comentários – Como estes filmes sobre a vida e obra de Steve Jobs nos ajudam a compreender o tema da inovação disruptiva?

Já mencionei no capítulo anterior sobre a origem do Facebook (retratada no filme a Rede Social) que para mim a definição mais enxuta e correta de inovação é a busca constante de novas ideias com sucesso.

E que sucesso para as empresas significa, por exemplo, aumento de faturamento, acesso a novos mercados, fidelização de clientes, aumento das margens de lucro, entre outros benefícios.

Aquelas empresas que inovam neste contexto, seja de forma incremental ou disruptiva, de produto, processo ou modelo de negócio, ficam em posição de vantagem em relação aos demais, porque permitem que as empresas acessem novos mercados, aumentem suas receitas, realizem novas parcerias, adquiram novos conhecimentos e aumentem o valor de suas marcas.

Este conceito é intrinsicamente ligado as Startups que promovem inovação incremental e disruptiva.

Neste capítulo só vamos comentar sobre inovação disruptiva que ocorre quando um produto ou serviço cria um mercado e desestabiliza os concorrentes que antes o dominavam.

Ser inovador nada mais é do que criar algo.
Uma ação que modifica antigos costumes, manias e processos e busca a renovação ou criação de uma novidade.
Nesse mesmo sentido, caminha a definição de “disrupção”.

Ser disruptivo é interromper o seguimento normal de um processo; ou seja, aquilo que tem capacidade para romper ou alterar os padrões adotados por um mercado ou indústria.

Quando juntamos essas duas definições, entendemos por que disrupção é a palavra mais citada quando se fala sobre inovação.

O conceito de inovação disruptiva foi criado por Clayton M. Christensen, professor de Harvard, e significa a transformação de uma tecnologia, produto ou serviço em algo novo, mais simples, conveniente e acessível. E mais do que isso: torna seu antecessor obsoleto.

Ele apareceu pela primeira vez em uma pesquisa sobre a indústria do disco rígido e se popularizou com a publicação, em 1997, do best seller – O Dilema da Inovação. (*box)

Em sua obra, Christensen dá exemplos clássicos, como os PCs substituindo os antigos computadores mainframe e os telefones celulares tomando o lugar dos fixos.

Para refletir sobre o impacto da disrupção um exemplo que gosto de mencionar é a invenção do ipod (*) do genial Steve Jobs e sua revolução na indústria da Música.

Quando Steve Jobs falava em inovação disruptiva, não estava falando somente em abandonar o processo anterior, mais que isso, queria torná-lo obsoleto.
E não apenas o processo, mas todo o modelo de negócios que o usava, afetando toda uma indústria, como o clássico exemplo de inovação disruptiva que ocorreu com o surgimento do ipod, e, depois mais forte ainda com iPhone.
Em suma: A inovação disruptiva não agrega valor, ela cria um valor!

Título: Jobs (2013, USA)
Gênero: Biografia, Drama 
Duração: 133 minutos
Direção: Joshua Michael Stern
Título: Steve Jobs (2015, USA)
Gênero: Biografia, Drama
Duração: 122 minutos 
Diretor: Danny Boyle

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